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POLARIDADES: Pensamento na escala cinza



A sensação de me sentir dividida há muito tempo me incomodava. No início, talvez ainda em uma busca inconsciente, cheguei a estudar informalmente religiões procurando entender a visão dualista do bem e do mal, do certo e do errado.


Nosso pensamento é dualista marcado por uma rigorosa dicotomia, como preto e branco. Conforme evoluímos, passamos a ver o mundo através da escala de cinza. Partimos da perspectiva do preto e branco, depois compreendendo que entre o preto e o branco existe o cinza, ampliando a paleta da nossa mente para os vários tons de cinza até chegar a um lugar onde preto e branco são um contínuo.


O termo “não dual” designa a capacidade pessoal de suportar paradoxo e ambiguidade. De acordo com seu entendimento enormemente prático, o pensamento "dualista" é o pensamento marcado por uma rigorosa dicotomia "ou isso ou aquilo" e pela insistência por soluções exclusivas em preto e branco. O "Não-dual" é inclusivo “isso e aquilo” expresso na capacidade de conter a tensão dos opostos e de descansar confortavelmente na ambiguidade.


Parei minha busca pelo tema por alguns anos até começar a encontrar esse pensamento polarizado nas narrativas de alguns coachees com quem trabalhei. Coragem e medo, alegria e tristeza eram algumas das polaridades que apareciam. Retomei a minha busca. Encontrei o seguinte texto:


"Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados."

Eu extrai esse trecho do Caibalion, um livro publicado em 1908 baseado na Filosofia Hermética. Ele explica que em tudo há dois polos ou aspectos opostos, e que os opostos são simplesmente os dois extremos da mesma coisa, consistindo a diferença em variação de graus. Por exemplo: o Calor e o Frio, ainda que sejam; opostos, são a mesma coisa, e a diferença que há entre eles consiste simplesmente na variação de graus dessa mesma coisa.


Quase todos os pesquisadores do desenvolvimento adulto como Robert Kegan e Jennifer Garvey Berger referem-se a essa capacidade em termos da complexidade da "criação de significado" de alguém. Por qualquer definição, existe em um continuum de desenvolvimento que varia de mais concreto, simplista, preto / branco, certo / errado, nós / eles, transformando indivíduos em cada vez mais flexíveis, reflexivos e complexos.


Esses pesquisadores me levaram a outros, cujo foco principal de pesquisa é polaridade. Segundo Barry Johnson, polaridades a serem gerenciadas são conjuntos de opostos que não podem funcionar bem de forma independente. Como os dois lados de uma polaridade são interdependentes, você não pode escolher um como uma “solução” e negligenciar o outro. O objetivo da perspectiva do gerenciamento de polaridade é obter o melhor dos dois opostos, evitando os limites de cada. Nossa forte orientação a solução de problemas é que pode se tornar um problema quando temos que gerenciar polaridades.


Brian Emerson, com base no modelo de Johnson, substituiu o loop infinito pelo "Terceiro Modo", retirado do trabalho de Richard Rohr. Ele diz que precisamos aprender a navegar pelas polaridades, expandindo nosso pensamento do ou / ou para incluir uma mentalidade de ambos. Saímos do ou isso ou aquilo para o isso e aquilo e além sendo capaz de enxergar que existe o seu caminho, o caminho do outro e um terceiro caminho que podemos percorrer juntos.

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